“Trabalhadores excluídos”
Presidente do Sindicato dos Alfaiates e Costureiras de Belo Horizonte e Região e diretor da CONACCOVEST-Confederação Nacional dos Trabalhadores nas Indústrias do Setor Têxtil, Vestuário, Couro e Calçados
Os trabalhadores do setor de confecção de Belo Horizonte e Região Metropolitana estão, a um só tempo, felizes e frustrados com a Minas Trend Preview (MTP). Felizes ao constatar o sucesso do empreendimento, que valoriza a moda mineira, produto de nosso trabalho. Frustrados porque durante todo o evento, assim como nas entrevistas e comentários a respeito, os trabalhadores não foram sequer citados. Comentários sobre parcerias, enfatizando a ação dos empresários, dos compradores, dos consumidores, dos governos que incentivam e dos bancos que financiam excluíram, sistematicamente, os trabalhadores que produzem.
Por coincidência estamos próximos a duas datas de significativa importância para os trabalhadores da indústria de confecções. O Dia do Trabalhador, que acontece justamente no encerramento da MTP e a data-base de nossa categoria, onde assinamos uma Convenção Coletiva que poderia ter sido muito melhor para a categoria. O setor, reconhecido como “o segundo maior empregador formal da indústria de transformação do Estado” (ESTADO DE MINAS, 29.04.2010, página 11), não retribuiu condignamente o trabalho de seus empregados. Nem financeiramente, nem socialmente. Antes pelo contrário. Houve tentativas de redução de conquistas sociais, sob o argumento de “crise”.
Que crise? – perguntamos. Um setor que produz uma feira em área de 12.000 metros quadrados, construída especialmente para receber o evento, que teve 3.200 compradores e público estimado em 30.000 pessoas, pode falar em crise? – Pode negar concessões mínimas para os que, ao fim e ao cabo, constroem tudo o que apresentam ao público? – Pode negar um aumento real, mínimo que seja, aos que ajudam a transformar Minas no pólo de moda que já é?
As costureiras e demais trabalhadores do setor de confecções de Belo Horizonte e Região Metropolitana tem um dos piores pisos salariais do país. Chegamos a denunciar uma situação em que somos colocados como “trabalhadores de segunda classe” quando o setor de que fazemos parte se coloca – justamente – entre os mais avançados, inovadores e eficientes do país.
Os empresários do setor enaltecem as diversas parcerias que realizaram para chegar ao ponto em que chegaram. Mas se esquecem do chão de suas fábricas. Esquecem-se de chamar para a parceria justamente os que costuram seus sonhos, seus projetos. Por outro lado, nossos sonhos persistem. Quem sabe um dia seremos chamados para essa parceria?
Um abraço do Antônio Carlos – Toninho – Francisco dos Santos.
Presidente